A costura como herança, o cuidado entre linhas e a criatividade entre os dedos. A Com amor, Dora nasceu pela simples vontade de colocar a minha costura no mundo de uma forma criativa, colorida e aconchegante.

Dora

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6 de janeiro de 2014

Quando a fila não anda

Nem um ser bípede, racional, com ascendente em libra, fã de Reginaldo Rossi e maior de idade gosta de esperar sentado, em pé ou de conchinha com o boy (girl) magia. Minha primeira espera fatídica de 2014 foi uma filinha básica com uns duzentos carros cheio de turistas, nativos e mulheres como eu doidas para voltar para casa a tempo de tomar uma cerveja gelada com os amigos: ilusão, sonho, esperança. Desperdicei cinco, sim, cinco horas da minha vida sem fazer, pensar, ler e comer absolutamente nada de útil que fizesse a espera valer a pena. Enfim, por todos os lados via pessoas cansadas, estressadas com crianças choronas e cachorros melequentos, casais em crise por uma coca-cola sem gás e um cigarro sem filtro, pois é, na fila de espera, seja onde for, ninguém nesse mundo é feliz ou normal. Se pudesse me olhar no espelho agora, depois de 8 horas de viagem e a maior parte dela numa fila, eu morreria de desgosto. Cabelos sujos de terra pelo vento que entrava pela janela, sem poesia por favor, mãos grudentas pelo geladinho de maracujá na beira da estrada, óculos embaçado, olheiras mais profundas que as Cataratas do Iguaçu, resumindo, estou um trapo. Quem consegue se mantar bonito, estiloso e cheio de amor numa fila de espera é minha heroína ou herói, ou só pode ser mesmo um belo ator.
Na fila de espera ninguém é feliz, as pessoas não se amam e só pensam na comida estocada no porta-luvas,
no hambúrguer de R$7,00 reais e na bendita coca-cola sem gás, no joelho dolorido, nas costas travadas e na cabeça que não para de dor e gritar por uma cerveja gelada numa mesa de bar tranquila perto de casa rodeada de amigos que te amam e odiariam esperar numa fila escrota com você. Se você quer testar sua amizade com alguma gorete nova que apareceu na sua vida perua de baladas e facebook, leve ela para uma fila de banco, lotérica, ferry boat, resultado de exame pelo sistema único de saúde, inscrição de algum curso chato, recadastramento domiciliar, segunda via de documentos e áreas afins, depois compare a reação dela com a espera nas filas de balada, shopping center e salão de beleza. Se ela te ama mesmo e quer a sua amizade, ela enfrentará filas e filas sem reclamar, sorrirá naturalmente, fará brincadeiras para passar o tempo e depois de todo o tormento acabar ela ainda dirá que por você esperaria muito mais. Claro que essa amiga não existe, mas bem que nosso anjo da guarda poderia nos enviar uma dessas para enfrentar filas de espera no nosso lugar, assim, seria tudo mais simples e feliz, sem esperas. Outro fator que faz qualquer ser humano inteligente e cool odiar feliz é ter que manter contato com estranhos, responder a perguntas inúteis e ainda dar aquele sorrisinho sem graça para algum vizinho de fila. Já perceberam que quase nunca ou nunca seu vizinho de fila é um gatinho solteiro que precisa de ajuda com o manual do amor pois acabou de terminar um relacionamento e precisa de alguém que o console, mas não, do seu lado, frente, trás ou qualquer bosta aparece um tiozão torcedor do Bahia com cheiro de cachaça vencida perguntando se você quer uma “caninha”. 
Mas a fila vai acabando e você acaba percebendo que todo aquele tempo serviu para alguma coisa.

                   braids and braid circles. daisy chains!

                                                                                                  Com amor, Dora.
Feliz 2014

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