A costura como herança, o cuidado entre linhas e a criatividade entre os dedos. A Com amor, Dora nasceu pela simples vontade de colocar a minha costura no mundo de uma forma criativa, colorida e aconchegante.

Dora

29 de novembro de 2016

Rotina

Laio e Rosinha dormem no quarto ao lado enquanto escrevo. Nas horinhas de descanso deles é a minha hora de tentar descobrir a mulher que me tornei depois de parir. Não escuto choros ou grunhidos, apenas o motor dos carros passando na avenida como se nada tivesse acontecido. Mas aqui em cima, aqui dentro, tudo mudou. Somos três à dormir na cama, somos três a nascer a cada raiar do sol. Rosinha acorda quase todos os dias às 5h da manhã trazendo vida à casa que só acordava às 10h da matina pela claridade insistente que entrava pela cortina da janela. Acordamos com o ensaio do chorinho de Ana Rosa ainda no berço, pego ela no colo, mato a saudade de ficar umas duas horas longe dela enquanto abusava de um sono que não irá voltar nunca mais. Laio acorda, dias antes, dias depois de mim, somos uma dupla e tanto: mãe e pai de uma menina linda e que chora de fome a cada duas ou três horas, ela decide quando quer chorar para mamar.
A sala era uma área antes inabitada na casa, a tv não servia para muita coisa. Meu quarto era meu lar, meu refugio. Hoje, ao acordar corro pro sofá onde me acolho melhor com rosinha no colo, ligo a tv e ficamos ali, horas, trocando olhares, carinhos, pedidos de “para de chorar um pouquinho, mamãe!” “chora não, mamãe” “dorme minha rosinha, dorme minha mamãe”. Ela não gosta de ficar muito tempo parada, chora um pouquinho e já sei que ela quer passear pela casa no colo. A família já diz que o pai acostumou ela no colo, que colinho do papai e da mamãe serão indispensáveis para dormir e isso cansa os braços, as pernas. Eu não me importo, dou colo mesmo, passo dez, quinze, vinte minutos, uma hora com ela zanzando na sala pra lá e pra cá.
Antes da dormida oficial, aquela quando a noite alta chega, canto musiquinhas de ninar que minha mãe cantava também.

Se essa rua

Se essa rua fosse minha

Eu mandava

Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas
Com pedrinhas de brilhante
Para o meu
Para o meu amor passar

Nessa rua
Nessa rua tem um bosque
Que se chama
Que se chama solidão
Dentro dele
Dentro dele mora um anjo
Que roubou
Que roubou meu coração

Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Tu roubaste
Tu roubaste o meu também
Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
É porque
É porque te quero bem

nessa hora, quando vejo ali em meus braços uma coisinha tão bela, serena, com os cabelinhos pretinhos, os olhos de jabuticaba, sinto um amor que nunca imaginei sentir, o coração cheio, a alma pronta para fazer alguém feliz. Meus olhos enchem de lágrimas, a voz treme, mas não paro de cantar, rosinha precisa dormir e eu também.

 

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