A costura como herança, o cuidado entre linhas e a criatividade entre os dedos. A Com amor, Dora nasceu pela simples vontade de colocar a minha costura no mundo de uma forma criativa, colorida e aconchegante.

Dora

10 de janeiro de 2015

Nonchalance

Sabe aquela sensação de não saber mais em que lugar você está?! Então. Acho que há tempos não sou mais uma adolescente destemida que sonhava conquistar o mundo, ter porres homéricos e não se preocupar com as contas no fim do mês. Eu mudei e você também, velho. Ainda não me considero uma mulher adulta em plena maturidade hormonal, segura de si e com a vida mais estabilizada que a placas tectônicas do Novo México. Em que lugar uma menina com pele de pêssego e vinte e seis anos se encontra?! Acho que é o limbo pós-adolescência e pré-vida-chata-adulta. Ter vinte cinco anos é legal, sonoro e mítico. Mas ter vinte e seis anos é estranho, cabuloso e inexplicavelmente legal. Apesar de só ter entrado na minha nova fase há umas seis horas, já me sinto uma “menimulher”.

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Hoje sou uma pessoa mais sábia, me relaciono com pessoas que me fazem bem e deixo para lá certos detalhes que só deixam rugas e envelhecem o coração. Sempre tive medo da maturidade, não saber o que fazer com ela, ou deixar que a dureza da vida tomasse conta de uma leveza que tive até os vinte anos. Mas agora, percebi que a minha leveza e “nonchalance” nunca saíram de mim, só deixei elas adormecidas durantes uns anos. Não me preocupo se você aí me acha meio fútil e sem muitos títulos academistas, não me preocupo mais se o boy vai ligar ou não no dia seguinte, se a conta do banco vai vencer e a grana ainda não tá na carteira, se vou precisar pagar caro num táxi para chegar em casa sã e salva, e melhor, eu não me preocupo mais com as coisas pequenas, inúteis que tanto me tirou o sono há tempos atrás. Mas é claro que o brinco precisa combinar com o esmalte e as despesas do mês devem estar devidamente anotadas num planilha excel.

Sabe aquela história de que o tempo responde angustias? As minhas ainda estão pela metade; assisti muita novela mexicana na infância e meus traumas ainda estão longe de serem curados pela idade avançada e experiência de vida. Porém, algumas gotinhas de culpa se esvaíram pelos meus dedos que hoje sabem cortar bem um tecido e costurar entrelinhas. Ainda tenho muito que aprender nessa coisa toda que chamam de vida; muitos tocos pra dar/levar, alguns porres para esquecer e muita gente pra amar e carregar no peito. Hoje tenho muito mais cede de encarar a vida como ela é, saber de tudo e correr atrás do que mereço e sonho.

 

Look all around, there’s nothing but blue skies
Look straight ahead, there’s nothing but blue skies…

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