A costura como herança, o cuidado entre linhas e a criatividade entre os dedos. A Com amor, Dora nasceu pela simples vontade de colocar a minha costura no mundo de uma forma criativa, colorida e aconchegante.

Dora

14 de setembro de 2016

e a vida profissional?

isso da gente se perder um pouco profissionalmente na gravidez é normal? e quando ela nascer, melhora ou piora? minha vontade é toda dela, cuidar de tudo para recebê-la bem, repousar, colocar as pernas para cima, dormir quando o corpo pede, voltar para casa quando a pressão baixa no sol de lascar em pleno caminho para o trabalho que eu inventei para mim. será que sou julgada por postar mais no meu instagram pessoal do que o profissional? tudo agora é dela e para ela, mas é tudo mesmo? questões que eu, a mais nova mãe empreendedora do pedaço estou começando a me fazer.

14 de setembro de 2016

Grávida de Peso

Cadê a barriga? Cadê a criança? Ah, deve estar no quadril! Sua barriga não vai crescer? Você está mais gorda ou grávida? Menina, você nem parece que tá grávida. Gravidez de menina a barriga é menos pontuda mesmo, calma que daqui a pouco cresce mais. São tantas coisas que a gente escuta, tantas palavras que parecem bobas mais doem tanto quando ouvidas numa fase que seus hormônios estão efervescentes. Eu engravidei pesando uns 76kg distribuídos por esse corpo que Deus me deu. Sempre fui a “gordinha” com quadril largo e coxas grossas. Nunca imaginei que minha baixa autoestima teria seu pico durante uma gravidez. Problemas com o peso a gente tem sempre por conta de tudo que todo mundo tá cansado de saber. Mas nunca imaginei que seria na gravidez que teria mais problemas em ser gorda, em me ver e sentir como gorda. Aos 4 meses de gestação viajei pro interior e os comentários choveram, incluindo a família. Nem parece que tá grávida, cadê a barriga menina? Hoje, estou com 7 meses e escuto os mesmos comentários (sei que a maioria é sem maldade, mas para alguém frágil torna-se um peso). Meu quadril largo, minha barriga antes já saliente, deixou tímida a barriga de grávida. Mas eu sabia que minha barriguinha de grávida estava ali, redondinha como um melão querendo ser melancia. Todos os dias antes de sair de casa, eu visto uma roupa, me olho no espelho e me vejo gorda, não grávida. E isso dói, dói mais ainda porque vem de dentro de mim, vem dos traumas de infância e adolescência se vestindo no presente gestacional. Minha barriga ainda é mole, com dobrinhas, mal vejo os movimentos de Rosinha dentro de mim, numa fase que as mães começam a filmar aqueles saltos dos filhos na barriga. Mas eu sinto minha pequena aqui, eu vejo minha barriga, mas o mundo não vê. Eu e meu noivo fomos numa loja de roupas para bebê, eu super empolgada porque estava começando a querer comprar as coisinhas dela. (Isso é outro assunto que ainda quero escrever depois) A vendedora olha para minha cara e pergunta se eu estou procurando presente. As lágrimas vieram na hora, segurei-as e sai de lá agradecendo pela atenção. Era presente sim, mas para minha filha. Outras situações que encaro todo dia é o ônibus. Demorei muito para entender que sou preferencial por algum motivo. Perigoso andar com ônibus em movimento, imagine grávida. Mas com medo de não ser reconhecida como tal, passo na roleta, vou em pé, ando o corredor todo para descer no ponto. E com o coração sempre apertado, porque se eu tivesse uma “barriga de grávida” poderia entrar pela frente sem receber olhares tortos, iria da barra ao Iguatemi sentada e segura. De umas semanas para cá tenho feito um exercício de entrar pela frente sim, sentar no lugar preferencial (quando não tem velhinhos, pois levantarei sempre para os velhinhos) e dar aquela olhada para o cobrador vir pegar o $$ da passagem. Mas faço isso sempre com um medinho de levar uma resposta grossa de alguém. Um caso de ônibus que me fez chorar: entrei pela frente, mas fui levar o $$ até o cobrador com o ônibus em movimento (todo mundo sabe como os motoristas correm em Salvador) e chegando lá, o cobrador segura minha mão e diz que eu deveria ficar sentada, que eu estava grávida e é muito perigoso andar com ônibus em movimento, pediu que eu esperasse ali na catraca, segura, até o ônibus parar e eu voltar para o lugar vago na frente. Ali, eu quis chorar. Algumas mulheres que querem e sonham ser mãe, esperam aquela barriga linda, redondinha perfeita. Mas a minha não veio assim, quando sento ainda tenho dobrinhas salientes, e ainda espero o dia dela crescer e ficar mais oval. Numa noite de desabafos com meu noivo, chorei contando a ele como me sentia. Pode parecer bobagem para alguns, mas isso realmente me incomodou e ainda incomoda. Escrevendo aqui, vem algumas lagriminhas. Então, meu noivo me disse uma coisa que eu nunca vou esquecer. Ele disse que o nosso amor é discreto, delicado, nasceu pequeno e foi crescendo mais e mais, porque nossa barriga teria que ser enorme, escancarada?! Ela é do tamanho e do jeito do nosso amor. Aceitar o próprio corpo não é fácil, é um exercício de aceitação diário. O mundo lá fora te joga tanta coisa. Pesquisando em sites e perfis de instagram você coloca a # 29 semanas e só encontra barrigas de revista, redondinhas e perfeitinhas. Mas e as mães gordas, acima do peso? Aquelas mães com a barriga pequena?! Só existem nas últimas páginas da busca. Isso aqui é um desabafo real e sincero. Faz tempo que queria escrever esse texto e compartilhar com o mundo o que eu sinto. Quero escutar gravidinhas que passaram e passam por isso também, quero saber que somos todas diferentes, com barrigas diferentes. Enfim, era isso. Hoje, estamos com 29 semanas, engordei apenas 2kg durante a gestação até agora e até ela nascer vou aprendendo coisas que me ajudarão na tarefa de mãe. De dizer a Rosinha tudo que possa para ajudar na sua formação e lidar com as diferenças, lidar com o nosso corpo e com quem a gente é.