A costura como herança, o cuidado entre linhas e a criatividade entre os dedos. A Com amor, Dora nasceu pela simples vontade de colocar a minha costura no mundo de uma forma criativa, colorida e aconchegante.

Dora

27 de abril de 2015

Amor Paciente

Dias de chuva dobram minha malemolência e minha carência. Fico tristinha por coisas que ainda não vivi, coisas que posso suportar, medos que nem sei que existem, mas não me desespero e feliz é homem que sabe chorar. Já tentei achar a solução quando tudo estava em seu lugar. Deixa estar. Sabe quando a gente cansa de querer alguma coisa, as pessoas (lê-se boys) tornam-se desinteressantes, conversar bobas tornam-se chatas e tudo que você quer está longe e com a cabeça em outro lugar que não seja em mim. Nunca fui mulher de esperar, paciente com o tempo. Sempre procuro caminhos para fazer e resolver, atropelo amores e caminhos, mas dessa vez veio diferente e eu não posso fazer nada. Achar quem me ame como sou está a cada dia mais difícil e árduo. Desisti de achar, pois acredito que achei e nem o tal sabe. Queria carinho e mimimi, queria tanta coisa. Assumo aqui a leve inveja de casais felizes que acordam com beijinhos e carinhos, eu tenho só a minha cama, meu café e minhas economias. Não sei até quando vai durar esse lampejo. Não tenho muito o que dizer, se começar a escrever o que realmente sinto sairei como uma moça babaca e cheia de estupidez para o mundo. Preciso ainda manter-me forte e seguir para um lugar que ainda não conheço, ou sei lá.

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12 de abril de 2015

Des(encontros)

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Hoje eu queria escrever uma história de amor perfeita, mas na minha vida ela não existe. Queria ser a paixão do moço da janela em frente a minha ou a do frentista do posto que passo todos os dias da minha vida, mas isso não existe. Dizem que o novo virá para rearmonizar, mas enquanto o novo não vem as peças voltam para a caixa no final do jogo. Um filme e dois episódios de um seriado me fizeram chorar e repensar nos caminhos tortos que tenho levado a minha vida. Mas como dizem, nada como um dia após o outro. O tempo dirá.

 Não sei ao certo, mas pelo que a minha intuição teima em dizer é que minha tal história perfeita há de acontecer uma vez e se acontecer eu estarei com fones no ouvido e não escutarei o som do vento em meus cabelos curtos de teimosia. Quem ou o quê há de me salvar da monotonia, espero um sim até encontrar, cara. Não sei o que é mais gostar de alguém ou algo. Sou muito fugaz, tudo se passa na minha mão como giz, não fica muito tempo, basta a água molhar e sai. Mas como disse antes, cansei disso, quero um ponto final nisso tudo.

Acho que por não ter sido criada com filmes da disney ou harry potter me fizeram uma mulher mais dura e desacreditada nessas baboseiras de par ideal, daí veio o tinder e confirmou a minha teoria: não match sem coração. Conversas sem graça, você precisa ser legal, o cara precisa parecer legal, que saco. Eu sou guerreira, solteira e estou na luta para isso.

Uma amiga me perguntou dia desses o que ela estava fazendo de errado para não achar um cara legal “eu tô até no tinder, o que mais preciso fazer?!” nem eu sei amiga, nem eu sei.

Meu par ideal deve estar em casa, de calças largas, sorriso solto e uma latinha de cerveja na mão. E eu aqui, sentada de pijamas num domingo qualquer esperando sentada. E seu eu for lá, no whatsaap, e der um “oi” ele vai me escutar?!

 

 

 

 

 

 

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9 de abril de 2015

Do apartamento

Nós, membros do clube dos corações partidos, deveríamos ter prioridade na fila do banco. Não sei se dor menor vem do corpo ou d’alma. Ultimamente eu não tenho sabido de nada, menino. Comecei a fazer terapia aos vinte e seis anos de idade depois de uma crise de burrice aguda: cometer o mesmo erro um bilhão de vezes causa constipação e eterna angústia no coração. Por isso, fui atrás d’uma moça que me diz toda segunda-feira coisas que eu deveria ter escutado aos dezoito anos, assim, seria hoje uma mulher mais segura e feliz. Como nada é perfeito, ainda há tempo para minha cura ou tentar sanar as dores de uma menina que se esqueceu de crescer, que tem dificuldade em se prender a alguém ou algo e chora por tudo, quer tudo e não se esforça muito. Se for embora, vai e se quiser ficar fica eu não moverei um dedo para isso, a escolha é sua e você tem que fazer por mim e para mim, eu posso esperar. Mas tá errado, Dora. Você precisa tomar as rédeas da situação e ser mais dona do caminho que é só seu, do amor que é só seu.

Descobri minha dificuldade para criar laços fortes, para deixar seres humanos estranhóides entrarem em contato com meu corpo e coração. A sensação de alguns é que eu nunca chegarei; pode não parecer, mas eu sou uma pessoa confiável e não sairei do seu lado até segunda ordem. Parece que daqui uns minutos eu vou sair por aquela porta e nunca mais voltar, às vezes parece que eu nem vou chegar. Minha presença é feito éter, etérea. Não sei se expliquei bem, mas na real, eu quero mudar isso. Quero sentir e viver cada minuto, não tomar banho correndo para cuidar de outras tantas coisas, eu preciso sentir o banho, me entregar ao sabonete e água fria. Isso de sentir a água descendo pela garganta enquanto o copo fica vazio é real, isso é viver e a gente não vive, engole o mundo de uma vez só. Eu sou assim, mas quero mudar.

Todo mundo tá careca de saber que eu sou uma dessas moças chorosas, de coração partido e um medo absurdo de gostar de alguém novamente, por isso, me arrisco nas noites e baladas, dou meu telefone errado e prefiro amigos homens. Eu quero mudar, eu preciso mudar para se feliz. Estou sentindo a formiguinha da esperança cutucar meu coração e levantar o peso da tristeza para dar lugar a leveza de um gostar engraçado, diferente e amistoso. Fazia tempo que não me sentia tão leve e disposta, disposta a gostar de alguém de verdade. Mas a coisa toda, coisinho, é que esse alguém tem uma Dora no olhar: amiga. Não sei fazer diferente ou ser diferente, por enquanto (tenho apenas um mês de terapia). Deixa o tempo trabalhar direitinho nisso, confio nele. Só não queria desistir disso, deixar pra lá como faço com todas as outras coisas, pessoas e gostares que apareçam na minha vida.

Eu quero chegar na hora certa, quero fazer ninho, cuidar da casa, ligar o rádio, fazer sopa de abóbora e ouvir Tom Jobim no violão. Quero criar raízes em algum coração partido, igualzinho ao meu. E se isso não for possível, se essa baboseira toda for só fruto da minha tpm melosa mimimi eu estarei ciente de quem esse meu coração partido que fura a fila do banco pode um dia voltar a ficar vermelhinho e pulsar carinho. Fazer-me de durona, fodona e porreta não me levou a lugar algum. Não há mal em assumir carência, vontade de alguém pra ler Leminski numa noite chuvosa e triste.

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20 de março de 2015

Paraísos Artificiais

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Alguns filmes deveriam ser visto antes dos vinte e cinco anos. Duas jovens lindas no melhor estilo hippie de boutique descobrindo a sexualidade e a drogas juntas numa rave lá no interior do nordeste; uma delas é DJ e acaba engravidando de um boy lindo, barbudo e complicado na mesma noite que perde a amiga/namorada por conta da falta de limites com as drogas, isso tudo é sim uma barra pesada, mano, mas se eu tivesse assistido esse filme aos dezoito anos acharia um máximo essa pseudo liberdade toda e provavelmente estaria arrumando minhas malas para curtir uma rave na Praia de Pratigí, município de Ituberá.

Como eu assisti com vinte e seis e um quarto achei o filme uma bosta. Saber o que não somos é a melhor forma de se encontrar. Os Sonhadores do Bertolucci aos dezesseis, Christiane F do Ulrich Edel aos quinze, qualquer um do Almodóvar aos vinte e espero pelo Jean-Luc Godard aos trinta. Será que podemos limitar a nossa vida ou as estapas que vivemos de acordo com os filmes que assistimos e marcaram nossas vidas bobas de uma forma tão firme?! Meu sonho era ser uma punk revolts, depois queria estudar frânces e fazer revolução, em dois mil e seis cansei disso tudo e fui ver Amélie, do Jean-Pierre Jeunet.

O último filme foda que assisti e me deixou meio assim, sei lá, foi Boyhood do Richard Linklater, num filme só vi todos os filmes da minha/sua juventude. Como se doze anos tivessem passado diante dos meus olhos. Dois mil e três foi logo ali e eu era apenas uma menina de quatorze anos que assitia Frankenstein, do James Whale, na casa da minha tia comendo pipoca e bebendo Fanta com meus colegas da escola às quinze horas de uma tarde de sexta-feira.

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27 de abril de 2014

Deixei porta aberta

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Tenho sido uma péssima amiga, eu sei. Esqueço datas de aniversário, não assino listas de casamento e deixo os chás de bebê para o fim do dia quando ninguém mais é feliz. Tenho deixado minhas roupas sujas, minhas camisas sem passar e minhas bolsas cheias de papel de bala e restos de paçoca. Minhas unhas andam com o esmalte descascado, meu cabelo descabelado e minhas olheiras maiores que os meus olhos de amêndoa. Os livros na estante já não servem para muita coisa, não os leio mais, ocupam muito espaço, penso em vender alguns ou doar para analfabetos.  Meu guarda-roupa está sem porta e a minha janela sem cortina de tapar sol, chuva, vento e solidão, não sei mais o que fazer com as tomadas sem funcionar, as pilhas já não existem no mercado e não sei mais usá-las. Minhas bijuterias se espalham pela casa, perdi anéis que tanto amava e brincos que tanto me fizeram mulher se foram por detrás da estante suja.  O porta-retratos guarda fotos de um passado tão longe que ainda não usava óculos e nem ao menos sabia costurar, isso é longe e meu tempo é distante. Tenho um caderno de sonhos empoeirado em cima de um banco que nunca usei. Meus batons se perdem na bagunça da minha vida e quando quero ajeitar tudo, me vem a desvontade de alinhar o cosmos e deixar tudo como está.

Vontade de mudança move o mundo e me deixa com preguiça. Por isso não lido bem com idas e vindas, chegadas e fugas de pessoas, folhas de papel e fósforos. Faz muito tempo que ando perdida, indo para algum lugar que não faço a mínima ideia se faz frio ou calor. Li no horoscopo do mês que devo aproveitar minha lua em vênus e  trazer para mim a verdadeira mudança, tomar as rédeas da situação caótica que se tornou a minha vida, a sua vida e a nossa vida. Não pense que é só você que acordou a fim de jogar tudo pra cima como um buquê de flores para ninguém, garota. Acorda, se todos nós pudéssemos fugir desse lugar o mundo seria vazio, belo e gigante. Mas, desculpa, não rola. Então vou acordar amanhã olhando para meus papéis pelo chão, meus sapatos espalhados pelo quarto, meus esmaltes numa caixinha roxa com buraquinhos de respirar vento e brisa no chão entre minha cama velha e minha estante depósito de livros não lidos e suvenires.

Mudança pouca não enche esperança, para mudar por dentro preciso de algo muito forte que venha de fora e me deixe sem reação ao ponto de sair do lugar minha alma. Aprendi a me acomodar com a dor, bagunça e simplicidade. Mas tá na hora de inverter a situação, pegar a pá, vassoura e começar uma faxina n’alma e depois catar as ilusões no chão de casa.

Ou melhor, contrato uma diarista e tudo resolvido.

 

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10 de abril de 2014

I was tired, I was hungry, I fight

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Não precisa de muita coisa pra perceber que a vida da gente está mais parada que fila no INSS. Hoje me peguei num baita engarrafamento (coisa comum em Salvador) pensando em como fazia tempo que não separo uma horinha do dia, da semana, do mês, do ano para cuidar de mim, fazer as coisinhas leves que eu tanto gosto. Faz tempo que não pedalo, faz meses que não corro, faz séculos que não saio à tardinha para tomar sorvete e faz décadas que não vou ao teatro, cinema, jantar a luz de velas. Mas isso tudo por conta de uma escolha, trabalhar para os outros e para mim mesma. Fazer meu negócio dar certo é trabalho de formiguinha, cada passo é comemorado como se fosse uma mini guerra do amor rs. Enfim, deixei o trabalho suprir a falta de um amor, nesse caso, um boy magia gente fina. Faz tempo (não quero contar) que estou nessa vida de solteira. Já passei por tanto perrengue, cada história cabulosa que os pudores da minha humanidade não me permitem contar, anyway, tantos domingos de ressaca sem uma ligação, ou com ligações indesejadas, argh.

Pois bem, minhas amigas, acho que até já contei isso aqui antes, mas como o blog é novo, tudo preciso ser encarado como novo, inclusive a minha vida amorosa (gargalhadas). Quero um alguém para dividir a conta, o dengo e o trabalho. Quero um estagiário! Isso, um estagiário que saiba de finanças, economia, marketing e carinho gratuito. Só peço isso, e mais nada, juro!

Hoje me vi sentada sozinha na subway, tudo bem até certo ponto. Sabe aquelas histórias de almoçar/lanchar/jantar/tomar café da manhã sozinho é ruim?! Pois eu já passei por todos os estágios:

1.Negação (passava fome, mas não comia sozinha)

2.Raiva (odiava os casais comendo temaki)

3.Barganha (implorava para meus vizinhos, parentes e amigos comerem comigo)

4.Depressão (chorava comendo batata frita alone)

5.Aceitação ( ai que delícia não ter ninguém para dividir minha pizza)

Mas chegou o grande dia, aquele dia que a aceitação acaba e a depressão volta e você vê que tá na hora de dividir a mesa, o prato e a conta com alguém. Enfim, enquanto isso não acontece continuo pedindo pra viagem.

 

                                                                                      

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8 de março de 2014

Pelo amor de Jeová

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Sou a mulher mais covarde que conheço. Mas isso eu só vim perceber numa terça-feira gorda.

Por conta das tolices que a adolescência nos obriga a fazer, precisei tirar a segunda via da minha carteira de trabalho, pois (adivinhem só a merda) na minha fase roots resolvi tirar foto 3×4 com uma touca do reggae music na cabeça e todos os meus documentos foram contagiados com esse vírus da nação regueira soteropolitana. Não sei qual motivo, razão ou insanidade que levou a moça cheia de grampos no cabelo e com lentes de contato verdemar a aceitar minha atitude ímpar e revolucionária no SAC. Enfim, as fotos foram aceitas e meus documentos, como me avisaram semanas depois de prontos, não teriam credibilidade algum no mercado com aquela foto excêntrica. Porém, eu tinha dezessete anos e não estava nem aí para porra nenhuma. Isso tudo, me trouxe até 2014 sem ainda ter tirado minha segunda via e precisei recorrer ao MTE e foi lá onde tudo começou…

Antes de chegar lá, corri o centro da cidade atrás de uma delegacia que forjasse um falso B.O sobre uma falsa perda de um documento nunca perdido, e é claro, não achei. (Esse texto é ficção, Senhor Policial) Resolvi tentar arriscar a tal segunda via sem B.O e com muita cara de pau que Deus me deu. Chegando ao Ministério do Trabalho e Emprego, fui encaminhada para a mesa 03 onde lá sentava um lindo mancebo de pele branca e olhos castanhos, com um conjunto monocromático de tecido respeitoso e um cabelo impecável. Preciso dizer mais, me apaixonei né, amiga. Papo vai, papo vem, documentos aqui, papeladas ali, sorrisos e léxicos burocráticos e uma simpatia de tirar fácil minha atenção. Ele, uma graça e eu, toda sem graça. Pois bem, no meio de tudo o sistema saiu do ar, ele passou do horário de almoço para ficar ali comigo, juntos, até que a porra do sistema destravasse e tudo caminhasse pra frente, como deve ser. Mas nada, é claro. Ele me recomendou ir para casa e voltar na manhã seguinte. Meu coração se encheu de esperanças, poderia vê-lo mais uma vez, teria um dia para juntar as minhas coragens perdidas e conquistar o boy. Yes! Kweum Kweum Kweum….

Na mesma noite liguei para um amigo (gay, é bom ressaltar esse detalhe) e pedi uma reunião urgente sobre a minha vida na amorosa. Pedi conselhos, expliquei minha paixão imediata e sai da mesa do bar decidida a enfrentar meus fantasmas medrosos de amor e dar em cima do boy na mesa 03 descaradamente risos. Alguém aqui sabe o final da história, pois imagina só. Na manhã seguinte acordei cheia de vida, cabelo ao vento, pele sequinha e sem espinhas, unhas feitas e dentes no lugar. Dona coragem, rezei, guie meus caminhos. Amém. Cheguei lá tremendo as mãos e o coração, fui direto a mesa 03, que estava vazia, sorte, ele é só meu. Sentei, tirei meus papéis da bolsa, dei um singelo bom dia, sorri, ele retribuiu e assim foram nossos dez minutos de quase silêncio. Sistema no ar, tudo ocorreu como manda o figurino, foto tirada, assinatura digital, mais um sorriso e nos despedimos com um aperto de mão. Chocada com a minha covardia, chorei. Chorei, chorei ao sair do MTE. Não foi por conta de boy nenhum, mas sim por conta da minha covardia (vou repetir, não tô afim de achar sinônimos) em não poder enfiar a mão no bolso e tirar meu lindo cartão de visita, inventar alguma história e não deixar o boy fofinho se perder na vida, gente. Custava só euzinha aqui ser mais impetuosa e sensualizar na hora da foto, dar meu telefone ou algo do tipo, mas eu não sou assim, não nasci assim, e não fiz nada. Fiquei imaginando onde veria o boy novamente, nem se nome sabia. Mas uma luz no fim da bolsa me salvou, no comprovante do documento tinha o nome do atendente, a felicidade reinou novamente e me enchi de esperança, tudo no facebook é mais fácil. Resolvi minha vida em 3 min: add ele, envio uma mensagem explicando quem sou eu, marcamos um cineminha, começamos a namorar, casamos, temos filhos, morro e fim. Mas aí é que a história que nem bem começou, termina. Quando cheguei em casa e fui procurar o nome do boy, me surpreendi com seu perfil: Testemunha de Jeová, foto do perfil pixelizada e foto de capa into the wild, sem mais. Ele nunca me aceitaria na sua vida religiosa e regrada, eu também não sei se largaria minha cerveja por conta dele, então, resolvi nem adicionar. Mas ficou no ar uma vontade de ser mais corajosa destemida e sexy nas horinhas de descuido.

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23 de janeiro de 2014

A minha pessoa.

Desde que me entendo por gente, ou seja, sentir sentimentos de gente grande, o que mais preenche o meu coração é um vazio que eu não sei de onde vem. Lembro-me da minha mãe perguntar o motivo de tanta melancolia nos olhos e coração, por que o olhar vazio e as lágrimas sem motivo, mas nem eu sabia responder pergunta tão difícil. Vez ou outra esse sentimento de falta vem me visitar, chega quietinho e me invade o peito de uma maneira tão abrupta que só me resta sentar e chorar por algo ou alguém que nem sei. Todo mundo sente dor de coração, pulmão, estômago e afta. Imaginem sentir todas essas dores juntas e não saber de onde elas vêm. Você já sentiu ou está sentindo algo que não sabe o nome, procedência ou razão de ser?! O meu vazio dói, e choro, e lamento e depois tudo passa. Será que um dia isso vai acabar, me deixar em paz ou será que é pra vida toda?

Posso contar um segredo? No fundo, bem lá no fundo, eu acho que sei a razão de tanto penar. Algumas pessoas vivem grandes histórias de amor, histórias tão bonitas que quando escuto creio até ser de mentira, só para deixar no ar a beleza de se apaixonar, brotar a esperança no coração dos tolos que tanto querem ser dois. Enfim, o que eu quero dizer é que – isso pode parecer dramático ao extremo, podem me chamar de louca frustrada, ou seja lá o que for – a minha pessoa não está aqui comigo, a minha pessoa ficou do lado de lá do horizonte distante, a minha pessoa ainda não nasceu. Há uns três anos atrás, eu sofri uma dor de amor carnal, doeu feio, mas passou, é diferente. Esse meu vazio, de sentir que falta alguém do meu lado veio desde cedo, desde antes, desde que nasci Isadora. Mesmo pensando amar alguém a saudade de algo que não sei explicar sempre existiu.

Quando penso que posso estar louca ou apenas entendo a minha vida, isso tudo me acalma. Sempre estou meio perdida, onde sentar, com quem ir, para onde viajar, sempre.  Nas dores do meu coração, sei que a minha pessoa luta constantemente para aprender a viver sem mim e eu continuo na mesma luta sem certezas de nada. Sei que a minha pessoa um dia vai me cobrir de carinho, abraços e outras maneiras de amar alguém. Não sei quando e muito menos onde a minha pessoa irá aparecer, mas sei que estamos lutando para sermos fortes e no dia desse tal encontro estejamos os dois livres e com o coração cheio de amor. Esse amor que eu tanto almejo trocar, não é de carne e osso, é amor de alma.  Eu não estou louca, só sinto saudade de tudo que vivi e não me lembro. 
Com  amor e saudade sem nome, Dora.





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21 de janeiro de 2014

Confissões de Adolescente*

   Não tenho mais 17 anos a muito tempo e isso dói um pouco, sabe. Não ter mais aquela energia de querer ganhar o mundo, de sentir todos os dedos das mãos tentarem alcançar algo que um dia poderá salvar a sua vida. Hoje os meus dedos vão até onde o meu braço alcança, não muito além.  Já passei por tanta coisa, conheci tanta gente, namorei tantos caras, levei tantos foras, dei mais alguns, sofri pra caralho por um amor, fiz muita merda, mas também tive tempo de consertar algumas. Um dia me perguntaram como era ter vivido tanto em tão pouco tempo, acumular experiências e tudo mais, nem lembro o que respondi, mas hoje sei que todas elas me deram nomes e formas. Pode não parecer, mas meu corpo e coração já viveram muita coisa, e muitas delas não foram boas, cara.  

   Sinto falta de não ter que me preocupar com o dia seguinte, com as contas e o os cabelos brancos que aparecem sem querer. Sinto falta das noites de semana sem rumo ou destino, as noitadas pelo centro da cidade, as cervejas bebidas nos botecos mais sujos, os cigarros fumados na janela de casa, os casos de amor mais engraçados que uma garota pode querer ou sonhar, cara, como eu vivi.  Não que eu me orgulhe das merdas que fiz, das cagadas clássicas de uma adolescente cheia de vontades e sede de tudo, não me orgulho, mas quem eu seria hoje sem cada experiência dramática que eu procurei para mim mesma, quem?  Hoje eu poderia ser mais feliz, menos rancorosa, mais estável emocionalmente, menos cabeça de vento, sonhadora e até romântica, eu poderia ter sido tanta coisa, mas eu escolhi ser o que sou, fruto de todos os meus erros, e até acertos, vivenciados como se a vida fosse apenas uma. Meu sorriso mudou, minha forma de andar e até o modo como prendo meu cabelo.  Minhas roupas não são iguais, mas as minhas unhas continuam roídas pelo tempo.

   Meus olhos não brilham tanto como antigamente, meu coração cansou de esperar e desistiu das grandes histórias, meu corpo não aguenta mais tanta birita, e quando tenta aguentar voltam às merdas, e isso cara, não é legal. Minha culpa aumentou, e culpa por tudo e todos os males da humanidade.  Eu me culpo pela morte de Mandela, pelas baleias encalhadas no ártico e os prédios abandonados pela cidade, tudo culpa minha.  Culpa minha, as dores que causei os amigos que deixei e as histórias que cortei. Mas um dia isso tudo passa, vai saber. Só queria deixar bem claro que crescer dói muito, e dá medo, muito medo. Ter 25 anos de idade não é a mesma coisa de ter quinze anos e ter a segurança de que o mundo irá se organizar para te dar um belo futuro e todo o resto que se foda nessa merda. Para, a vida não segue esse curso. Você e eu precisamos levantar, acordar, tomar um café bem forte e quente e correr atrás de cada centavo, de cada beijo e abraço, de cada sono sem remédios, de cada quietude no final do dia, pra quem ainda pensa ter 17 anos, se liga, a vida passa rápido e vocês estão dando mole. 
   
*Esse texto foi escrito logo depois de ter saído do cinema, sozinha e sem uma perspectiva de futuro muito estável para uma adolescente, ops, mulher de 25 anos. 

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8 de março de 2013

As mulheres da minha vida

A minha perspectiva de ser mulher é ilimitada a amar o meu próximo independente de  ser. Minha casa foi inventada por mulheres, a matriarca foi embora cedo, deixou suas filhas para me acalentar. Quando eu digo que fui criada sem vó ninguém acredita, quando eu digo que minha mãe é meu pai todos compreendem, quando eu insisto em dizer que tive mais duas mães que por um acaso do destino são minhas tias todos riem. Quando eu repito em dizer que os homens da minha vida foram criados e crescidos num meio onde quem reina e faz o prato do dia é a mulher. A nova geração trouxe mais três mulheres com menos de um metro e meio de altura e com alguns dentes de leite. Todas com seus cabelos em cacho e seus sorrisos que valem uma viagem de seis horas ou alguns dias até o Pará.

Somos fruto de uma mulher que viveu pouco, uma professora de lenço na cabeça com o sorriso bonito que eu, minha mãe e todas as outras seis mulheres herdaram. Passamos por maus bocados, temos nossas desavenças e diferentes modos de enxergar o mundo e o futuro, mas somos todas mulheres, todas nascidas no leito de amor e esperança que a casa criou bem. Sou uma delas, sou parte delas. Nossos ciclos menstruais são parecidos, nossas blusas compartilhadas, sapatos com diferentes tamanhos não nos cabem e a maquiagem na frente do espelho nos faz ainda mais bonitas. Seu olho verde, seus dentes afastados, seu cabelo preto feito índia, sua pele morena, seus cachos e tinturas, esmalte descascado pela pilha de parto do almoço em família. Certa feita, uma das minhas matriarcas me enviou uma carta dizendo assim: – Dora, você já passou por tanta coisa nessa vida, tantas perdas, não é por isso que você vai desistir de amar, não é verdade? – Todas nós sofremos por amor, nenhuma, ou quase, de nós teve sorte nesse anagrama complicado que é o amor, mães solteiras, independentes, trabalhadeiras, transgressoras ao seu modo, religiosas e mãe, mulheres. Sou cada pedaço delas.

Recordo-me da máquina de costura no corredor da casa de tia Rosa e as linhas emaranhadas pelos meus dedos, as anáguas e colchas de retalhos com um acabamento perfeito, e eu ali, sentada no chão com as revistas de moldes na mão.Sinto falta de acordar e dar um bom dia a minha mãe, de correr e dobrar a esquina e dar de cara com Sofia correndo na rua e ver tia Cida com a vassoura na mão enquanto escreve suas resenhas e planeja suas aulas. Saudade de visitar tia Rita no fórum de short e não poder entrar pela porta da frente. Saudade de passar as tardes de sábado com minha mãe na entrega da sopa aos necessitados no Centro Espírita.

E uma saudade do que não vivi: ser mimada por minha avó aos vinte e quatro anos de idade.

Essa é a minha história, a minha vida.

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